Freud, em seu texto "Algumas reflexões sobre a psicologia do escolar" (1914), levanta a questão sobre a importância da relação professor-aluno, questionando se o que exerce maior influência para o aluno é o conteúdo estudado ou a personalidade do professor: "(...) é difícil dizer se o que teve mais influência sobre nós e teve importância maior foi nossa preocupação pelas ciências que nos eram ensinadas, ou pela personalidade de nossos mestres. É verdade, no mínimo, que esta segunda preocupação constituía uma corrente oculta e constante em todos nós, e, para muitos, os caminhos das ciências passavam apenas através de nossos professores. Alguns se detiveram a meio caminho dessa estrada, e para uns poucos porque não admitir outros tantos? ela foi por causa disso definitivamente bloqueada". Assim, podemos perceber a importância dessa relação afetiva entre professores e alunos. O professor tem paciência... Fala, repete, insiste novamente, motiva, incentiva, acredita, e o aluno aprende, apreende, pois precisa ir aos poucos prendendo dentro de si o conhecimento que o outro lhe apresenta. Muitas vezes ele é incansável. O professor proporciona que o aluno transforme um papel em branco em uma redação; um texto, em história. É ele quem ajuda a traduzir essa língua estranha, a passar da palavra falada à palavra escrita. E isso não é pouca coisa, porque os pais ensinam as primeiras palavras, dão os sentidos e explicam os próprios sentimentos, e o professor ajuda a criança a colocar no papel, a expressar pela escrita, o pensamento, as opiniões e, por que não, os sentimentos. Então, ser um mestre vai além de transmitir conhecimentos - é, também, o estabelecimento de uma relação afetiva, que traz no seu interior um modelo com quem podemos nos identificar, e é tão potente a ponto de ambos poderem investir nessa relação, tanto o professor como o aluno. O professor, então, como os pais, é um modelo de identificação para os alunos. Profissão bonita, que exige muita dedicação. Profissão também que se assemelha às funções materna e paterna. Como uma mãe, um professor precisa olhar todos os seus alunos individualmente. E são muitos. E ele consegue. Conhece singularmente a cada um. Sabe dizer qual é o mais rápido, o mais lento, o que tem dificuldades em matemática, ou em português, e assim por diante. Olha a cada um, conhece, incentiva, luta para suprir suas deficiências. Vibra com as conquistas de cada um. Sabe o que dizer a cada um deles e sabe por que os conhece, os observa, cuida de suas crianças. É como um pai que ocupa a posição de responsabilidade, da lei, com o objetivo de fazer com que os direitos e deveres sejam compreendidos e seguidos. É um transmissor de limites que permitem a cada educando construir-se e conviver entre os colegas na sala de aula. Batalha por um lugar assimétrico, ou seja, que o aluno possa manifestar suas dificuldades, em termos de comportamento, por exemplo, e que ele, por ocupar essa posição assimétrica, daquele que detém o poder, poderá conte-los. É capaz de proteger os que apresentam mais dificuldades pelos caminhos e segurar os que andam mais rápidos. A esses mestres, e aos nossos mestres, a nossa homenagem pelo seu dia. Parabéns!! *Texto em parceria com Rosistela C. de Arruda
Franciela
Uitdewilligen - Psicóloga em formação psicanalítica | top | RESPEITE OS
DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUAL |