Guevara, Maluf e Malufinho
Por Douglas Mondo
O Bom: há que endurecer, mas sem perder a ternura jamais.
O Mau: não tenho dinheiro algum no exterior. Jamais fui corrupto.
O Feio: abri essas contas no exterior a mando de meu pai.
Três homens, três histórias. Dois, quase com a mesma idade. Um morto em 1967 pelas
forças imperialistas do capitalismo. Outro, o retrato da existência medíocre da
ganância.
O terceiro, o filho do Mau, apenas repetição do modelo da mediocridade.
O Bom deixou o legado para os filhos da liberdade: nossos filhos devem possuir as mesmas
coisas que as outras crianças, mas eles devem também ser privados daquilo que falta às
outras crianças.
O Mau fez de seu filho braço direito no antro da corrupção: fui algemado e isso é um
ultrage à minha pessoa.
O Bom morreu pobre sem vintém, adormecido nos braços sonhadores da poesia. O Mau ergueu
suas mãos aos céus e bradou: Por quê me abandonaste, fui seu filho um dia?
- Odeio corruptos! Exclamou o Altíssimo, num dar de ombros!
O Bom foi chamado de louco e idealista: muitos me chamarão de aventureiro, e sou, só que
de um tipo diferente. Sou dos que põe a vida em risco para demonstrar suas verdades.
O Mau foi preso, ladrão e mentiroso: não sou titular das contas, mas apenas o
beneficiário.
O Bom lutou contra todas as formas de opressão social: acima de tudo, procurem sempre
sentir profundamente qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte
do mundo. É a mais bela qualidade de um revolucionário.
O Mau provocou injustiça social: 300 milhões de dólares depositados em contas
bancárias em Genebra, em Paris, nos Estados Unidos etc..etc.
O Bom ergueu suas mãos aos céus e cantou: os poderosos podem destruir uma, duas ou três
flores, mas nunca deterão a primavera.
O Mau será conhecido como um dos maiores bandidos de todos os tempos: Salin malufou!
O Bom deu sua vida por uma causa: deixe-me dizer, com o risco de parecer ridículo, que o
verdadeiro revolucionário é feito de grandes sentimentos de amor.
O Mau fez de sua mulher e o Feio beneficiários de desvio de dinheiro público, em contas
bancárias abertas no exterior: amo Silvia e meus filhos!
O Bom era chamado Ernesto, o Mau doutor Paulo. O Bom era médico, o Mau, ladrão!
Um a história abençoou Che Guevara, outro a Justiça condenou prisão.
Ambos filhos da mesma espécie. Um, sonho de liberdade! Outro, retrato de um cão!
Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamas!
Ao Feio, resta a conclusão: Salinzinho, filho de Maluf, ladrãozinho é!
Publicado em 15/09/2005
Douglas Mondo é
advogado e escritor
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